O que a Grécia e o Dólar têm a ver com a minha poupança? Tudo. Não é uma relação tão simples de se fazer, mas é bem lógica.
Vamos começar pela Grécia. Ela faz parte da “zona” que está o Euro. Pensou que tivesse moeda forte e gastou o que tinha, o que não tinha e o dinheiro dos outros também. Pegou tanto dinheiro emprestado que agora não tem como pagar. Qual é a crise? Quem emprestou dinheiro quer receber, mas o que vai receber é um belo de um calote. Por isso tem tanto BANQUEIRO europeu preocupado, não por causa da Grécia, mas pelos bancos que vão sofrer pelo péssimo investimento que fizeram e não vão ter retorno.
Aqui partimos para o segundo ponto, o Dólar. Em momentos de turbulência os investidores querem garantir que não vão perder dinheiro ou que vão perder o mínimo possível. Todos saem para comprar Dólar e ouro, o que puxa o preço deles para cima, valorizando o Dólar. Por isso vimos ele saltar de R$ 1,70 para R$ 2,00 e, por causa do medinho do calote grego, quase todas as ações de todas as empresas de todas as bolsas do mundo estão caindo. É um medo generalizado. Se bem que qualquer “mané” deveria saber que se emprestar dinheiro para alguém que não tem dinheiro ou que não merece muita confiança arrisca ficar sem o dinheiro que emprestou. Eu mesmo sou um desses “manés”, é melhor nem contar com o dinheiro. Mas quem nunca emprestou dinheiro para alguém e nunca mais o viu que atire a primeira pedra…
Nossa presidenta tem interesse de manter o valor do Dólar alto, pois assim “protege” a nossa economia, fazendo com que menos dinheiro saia e mais dinheiro entre, pois se o Real estiver “barato” favorece a exportação de produtos. Se o Dólar estiver “barato” facilita a importação, viagens e gastança no exterior e nosso rico dinheirinho escorre para fora do país. Mas mesmo assim, se recebermos muito dinheiro de fora, vai sobrar Dólar aqui e força novamente o preço para baixo. O “mercado” vive disso. Alguém compra quando está baixo e vende quando está alto, para alguém perder dinheiro comprando na alta e vendendo na crise, quando o preço abaixa.
Pois bem, o nosso governo também pega dinheiro emprestado e chama isso (entre outras coisas) de Letras do Tesouro Nacional, ou Tesouro Direto. São formas de captar dinheiro para financiar as gastanças do governo. Existem vários tipos, vinculados a vários índices diferentes e com prazos de devolução do dinheiro diferentes também, mas não vou entrar em detalhes. Veja os tipos aqui.
O governo quer continuar mantendo o interesse nesse investimento na dívida pública, mas está com planos de continuar cortando a taxa selic, que tem forte tendência de baixa nos próximos meses. Com a intenção de baixar os juros (que são vinculados à selic), a poupança passaria a ficar “interessante demais” para os poupadores e não motivaria significativamente o investimento no Tesouro Direto. Por falar nisso, mesmo com a diminuição do rendimento da poupança a diferença entre o que entrou e o que saiu da poupança dos brasileiros deu um saldo positivo de 1,5 bilhões de Reais. Isso mesmo, depois de descontar as retiradas, os bancos tupiniquins receberam 1,5 bilhões em depósitos na poupança.
Esse número assombroso mostra que praticamente ninguém parece estar achando ruim o corte na rentabilidade da poupança, provavelmente pelo fato dele talvez ser seguido de redução nos juros. É isso ai, a culpa é dos gregos…





